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Papo de Escritor10/03/2016 | 06h31

Orlando Fonseca, premiado escritor santa-mariense, forma novos leitores há quase 40 anos

Doutor em Teoria da Literatura, poeta e professor aposentado fala sobre as décadas dedicadas à arte da escrita

Orlando Fonseca, premiado escritor santa-mariense, forma novos leitores há quase 40 anos Germano Rorato/Agencia RBS
Foto: Germano Rorato / Agencia RBS

A perspectiva que temos em relação ao conceito de sucesso é inerente à personalidade de cada um. Orlando Fonseca, por exemplo, tem bem clara sua concepção sobre a questão. Para o premiado escritor santa-mariense, a realização está na possibilidade de proporcionar momentos de alegria por meio de seus textos. Mas, acima de tudo, mostrar que a arte da escrita pode ser dominada por qualquer um.

Foi quando ainda morava com a família no bairro Carolina, zona norte de Santa Maria, que Orlando desencadeou um amor sem volta pelas palavras. Aos seis anos, pegava os livros da irmã mais velha e, com a ajuda da mãe, aprendeu a ler. O apreço pela leitura e o desejo de se tornar professor foram determinantes para que ingressasse, em 1977, no curso de Letras da UFSM. Já no primeiro ano de faculdade começou a lecionar e não demorou para conquistar seu primeiro prêmio literário na cidade.

À medida em que aprimorava seu trabalho como escritor, passou também a conquistar reconhecimento. No ano seguinte, foi agraciado com um prêmio em nível estadual, o que catapultou sua carreira como escritor.

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Quase 40 anos, 14 livros individuais e participações em 18 publicações coletivas depois, Orlando é visto como uma referência cultural em Santa Maria. Além de uma série de prêmios importantes como o estadual – Açorianos de Literatura e o nacional Prêmio Adolfo Aizen –, também atuou como secretário municipal de Cultura (2000-2004). Em 2005, teve sua contribuição cultural reconhecida ao ser escolhido como Patrono da Feira do Livro daquele ano.

Mas se foi a poesia a responsável por fazer sua carreira deslanchar, foi outro gênero literário que o moldou como escritor. Foram 19 anos como cronista do jornal A Razão, mais cinco no extinto portal Cidade Cultura. Desde 2005, brinda os leitores do Diário com seus textos todas as terças-feiras. E desse compromisso semanal e inadiável, o escritor aprendeu que não podia se dar ao luxo de criar qualquer tipo de ritual para produzir.

– Sempre me acostumei a escrever nas férias e nos fins de semana. Não preciso que haja uma situação favorável para isso. Eu tenho que fazer e ponto – conta o escritor.

No ócio criativo

Depois de 37 anos escrevendo, Orlando costuma brincar que consegue extrair uma história de qualquer tema, situação, fato ou palavra. Mas se engana quem pensa que esse é um dom que poucos detém.

Nos últimos anos, ele tem se dedicado à literatura infanto-juvenil. E, ao que parece, a experiência tem sido uma das mais enriquecedoras de sua trajetória. Ele conta que já visitou escolas de 29 cidades gaúchas para conversar com alunos sobre seus livros e processo criativo. 

– Me engajei nessa ideia, porque estimula a leitura. A maioria dos grandes escritores não vai até essas localidades. Então, alguém tem de ir, e me agrada fazer isso. E também acabo aprimorando o meu trabalho, porque o contato com a gurizada é sempre positivo. Quem lê vai perceber que não existe distância entre quem escreve e se ele quiser, vai ter de se dedicar, mas, também, vai conseguir fazer – avalia.

Após 39 anos lecionando, sendo 31 deles na UFSM, em fevereiro passado, Orlando se aposentou. O escritor conta que ainda está se adaptando à nova realidade, mas já percebeu que seu "ócio criativo" já tem surtido efeito. A produção aumentou, talvez, porque tenha sobrado mais tempo para exercer uma de suas principais qualidades: a de observador silencioso.

Questionado se já parou para fazer uma balanço da carreira, diz que ainda há muito o que fazer. Mas de uma coisa tem absoluta certeza: a literatura oportunizou almoçar com ninguém menos que Mário Quintana e conviver com figuras como Prado Veppo e Humberto Gabbi Zanatta.

– Para mim, sucesso é produzir um bom efeito nas pessoas. É ajudar alguém, produzir um momento de alegria, ou então influenciar positivamente no sentido de dizer "segue por aí" – diz Orlando, que, enquanto faz questão de incentivar novos escritores, trabalha no título Delirismos, livro coletivo de poesias que lançará com outros autores da cidade na Feira do Livro deste ano.

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